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Papa Francisco e Santa Teresinha

O Papa Francisco já se tinha declarado devoto de Santa Teresinha do Menino Jesus, quando esteve de visita ao Brasil, onde foi questionado sobre o que carregava na sua famosa pasta preta de mão. Nessa ocasião, respondeu: “a minha máquina de barbear, o breviário (livro de oração), a agenda e um livro sobre Santa Teresinha de quem sou devoto”. Passado algum tempo, mais concretamente durante a sua Viagem Apostólica a Moçambique, Madagáscar e Maurícias (4 – 10 de setembro de 2019), manifestou, outra vez, a sua devoção a Santa Teresinha do Menino Jesus num mosteiro de clausura das irmãs Carmelitas Descalças de Antananarivo, capital de Madagáscar. Disse o Sumo Pontífice: “Ela [Teresinha] me acompanha a cada passo. Ensinou-me a dar os passos”.

Eram cerca de cem religiosas, aquelas que o escutavam. Depois de rezar a hora Intermédia, o Papa Francisco partilhou com as religiosas os ensinamentos de Santa Teresinha na sua vida. Ele entregou-lhes a homilia escrita, que havia preparado, para que pudessem ler, meditar, tranquilamente, e destacou “algo do coração” que lhes queria dizer. Então, contou-lhes uma história sobre duas irmãs religiosas, uma idosa e uma ainda muito jovem, e disse-lhes: “Isto não é uma fábula. É uma história de vida. A jovem chamava-se irmã Teresa do Menino Jesus e a idosa, irmã São Pedro”. Estas irmãs, ao fim da tarde, «saíam do coro, onde haviam estado a rezar a oração de Vésperas, e dirigiam-se para o refeitório. Como à velhinha lhe custava andar, pois estava quase paralítica, a jovem procurava ajudá-la. Só que ela enervava-se e dizia: «Não me toques! Não faças isso, que caio!»

Só Deus sabe, mas talvez a doença tenha tornado a velhinha um pouco neurótica. Contudo, a jovem acompanhava-a sempre com um sorriso. Até que, por fim, chegaram ao refeitório e a ajudou a sentar. Os protestos mantinham-se: «Não! Não que me aleija! Dói-me aqui!». Mas lá acabou por se sentar. Qualquer jovem, perante isto, de certeza que teria vontade de a abandonar! Porém, aquela jovem sorria, pegava no pão, preparava-o e dava-lho”.

A partir daqui o Papa Francisco mostrou os vários ensinamentos de Santa Teresinha do Menino Jesus que orientam a sua vida:

1.“(…) o espírito com que se pode viver uma vida comunitária: a caridade, nas pequenas coisas e nas grandes. (…) o caminho da perfeição encontra-se nestes pequenos passos ao longo da senda da obediência. Pequenos passos de caridade e de amor”;

2. “A coragem de dar pequenos passos, a coragem de acreditar que, diante de Deus, na minha pequenez, sou feliz, e Ele dará a salvação ao mundo”;

3. “Se queres mudar – mudar e salvar com Jesus – não apenas o mosteiro, não apenas a vida religiosa, mas salvar o próprio mundo, começa por estes pequenos atos de amor, de renúncia a ti mesma, que prendem Deus e O trazem até nós”;

4. “A mundanidade não é uma irmã de clausura; pelo contrário, é uma cabra que segue pelas suas veredas, leva para fora da clausura”;

5. “Quando te vêm pensamentos de mundanidade, fecha a porta e pensa nos pequenos atos de amor: estes salvam o mundo”;

6. “Aquele diabo vai, procura outros sete diabos piores do que ele e volta com eles. Querem entrar naquela casa arrumada, mas, para o conseguirem, como se fossem ladrões, não podem fazer barulho, devem entrar educadamente. E assim os diabos «educados» tocam à campainha”;

7. “Dou-vos este conselho: falai imediatamente, falai a tempo, quando houver algo que vos tira a tranquilidade; não digo a paz, mas, antes ainda, a tranquilidade, depois a paz. Esta é a ajuda, esta é a defesa que tendes em comunidade”;

8. “É verdade, temos de reconhecer que nem todas as prioresas são o prémio Nobel de simpatia! Mas são Jesus. A via da obediência é aquela que te submete no amor, nos mantém submetidos ao amor”;

9. “Quanto à tentação, à luta espiritual, ao exercício da caridade, não se chega jamais à reforma: até ao fim, terás que lutar. Até ao fim. Mesmo na obscuridade”;

10. “Quem dera tivésseis aquela dimensão de infância de que o Senhor gosta tanto!”.

Por último, o Papa Francisco recordou que, já ao final da sua vida aqui na terra, Santa Teresinha ficou doente e, “pouco a pouco, pareceu-lhe ter perdido a fé”. No entanto, é “preciso a caridade, a oração. A caridade para pedir conselho a tempo, escutar as irmãs, ouvir a prioresa. E a oração com o Senhor. A oração: «Senhor, é verdade isto que estou a sentir? Isto que me diz a serpente, é verdade?»”.

Teresinha do Menino Jesus “acompanhou; acompanha-me em todos os passos. Ensinou-me a dar os passos. (…) Às vezes escuto-a; às vezes as dores não me deixam escutá-la bem… Mas é uma amiga fiel”.

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