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Aberto à sustentabilidade

“Em verdes prados me faz descansar e conduz-me às águas refrescantes” (Salmo 23,2)

Cultivar o apreço pela natureza leva-nos a aprofundar a nossa própria vida espiritual, a aproximarmo-nos mais da criação, ver a nossa responsabilidade moral por ela, segundo a forma como tratamos cada plantinha que teima nascer. Viver em harmonia com a natureza significa estarmos nós próprios mais vivos.
Ao olhar do místico João da Cruz “Deus criou todas as coisas com grande facilidade e rapidez deixando nelas alguns rastos da sua identidade. Não só as criou do nada, mas dotou-as de inumeráveis graças e virtudes, embelezando- as com uma admirável ordem e perfeita dependência entre elas”.
A nossa sincronia com a natureza é demonstrada pelo efeito emocional que esta exerce sobre nós. Quando está escuro, podemos tornar-nos taciturnos. Quando o nevoeiro nos envolve tornamo-nos reflexivos. Quando o Sol sobreaquece o ambiente cobramos vida interior. Cada mudança da natureza está a chamar-nos a entrar mais a fundo nos ritmos quotidianos. É vendo-nos como parte da natureza, que sintonizamos a alma com os seus ensinamentos.
Nós não “controlamos” a natureza. É a natureza que nos controla. O único problema é que a nossa realidade moderna leva várias gerações a compreendê-la. Destruímos a natureza sem ter presente as consequências daquilo que estamos a fazer ao futuro. Ela tem sempre a última palavra.
Para haver mudança temos de olhar para o que estamos a fazer ao Planeta Terra. Para saber o que precisamos de introduzir na nossa própria vida, de forma a querermos ser verdadeiros buscadores
de Deus.
Caminhando através da natureza, vamos de mãos dadas com Deus, que lhe deu a vida. A única questão é: dar-lhe-emos nós vida ou morte? João da Cruz, ao contemplar e ao orar com a criação,
reconhece-a como um maravilhoso livro onde Deus nos fala e transmite algo da sua beleza e bondade:

“Mil graças derramando
Passou por estes soutos com pressura
E, assim os indo olhando,
Com sua só figura
Vestidos os deixou de formusura”.

Marco Caldas, OCD

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