Coração Orante
Há livros em abundância sobre o tema da oração, é claro, mas cheguei à conclusão de que ninguém pode, realmente, “ensinar” alguém a rezar. Creio que isso nos é ensinado pela vida. Nós podemos aprender várias formas de oração, naturalmente, mas não aprendemos a função ou o seu objetivo, enquanto a vida não nos arrastar para ela, despidos de dor.
Há teólogos do século XIX e inícios do século XX, muito bons, a dissecar a oração. Estes referem que a oração vocal, a oração silenciosa, a oração mental, a oração do coração é uma união com
Deus. Agora, tudo isso me parece engraçado.
No início, eu tentava aprender a rezar, como aprendi a usar o computador, pelos livros.
Em ambos os casos descobri que a melhor forma de aprender a fazê-lo era pratica-lo durante muito, muito tempo.
Mais importante do que tudo o resto, porém, pelo menos para mim, é a definição de oração que nos dá a mística Teresa de Jesus, que ensina às suas irmãs e irmãos de hábito a fazer orações breves e a sair da capela em silêncio sabendo que “a oração é um diálogo de amizade com quem sabemos que nos ama”.
Nesta recomendação aprendi o suficiente sobre a oração, para toda a minha vida: primeiro que, para aprender a rezar, devemo-lo fazer com regularidade; segundo, que a verdadeira oração contemplativa começa ali onde a oração formal termina.
A oração não é uma “técnica”. Mas, sim, uma atitude da mente, uma atitude do coração, uma qualidade da alma e uma dimensão da vida quotidiana.
Marco Caldas, OCD
